Entrevista: Djalma Fogaça – ‘Temporada F-Truck 2010’

Vários internautas tem interagido com a DF Motorsport e uma das maiores curiosidades ainda é o perfil e as opiniões de Djalma Fogaça, ex-piloto e chefe da equipe Ford Racing Trucks. Abaixo selecionamos algumas perguntas e fizemos uma pequena sabatina com o ‘Caipira Voador’: 

1) Agora na prova de Campo Grande você estará completando seis meses atuando apenas como chefe de equipe. Como você avalia sua atuação na função?

Djalma – Muito diferente, apesar de ainda achar que seis meses é pouco tempo. Muita coisa mudou dentro da oficina e isso refletiu diretamente na pista. Acho ainda que esteja sendo um pouco difícil para os mecânicos entenderem onde quero e precisamos chegar, mas eu sabia que seria um trabalho de médio a longo prazo. Tem que ter paciência e essa nunca foi uma de minhas virtudes (rsrs).

 2) O que diferencia uma equipe de Fórmula Truck das outras categorias, além do tamanho dos equipamentos?

Djalma – Não sei exatamente se realmente existe diferença. Acho que competição é competição em qualquer categoria, mas o que sei é que o trabalho é muito pesado e intenso. Às vezes olho aqueles caras trabalhando e sempre penso que a remuneração nunca é a ideal apesar de ganharem bons salários.

 3) Está sendo tranquilo ver os pilotos acelerarem e você ficar só nos bastidores?

Djalma – Olha, vou ser muito sincero, estou muito bem resolvido assim. Tenho certeza que parei na hora certa e está sendo um prazer muito grande trabalhar com o Andersom (Toso), Bruno (Junqueira) e Danilo (Dirani).

 4) Com quem você gostaria de ter dividido as pistas e não dividiu, seja como companheiro ou como adversário?

Djalma – Estranha essa pergunta, nunca pensei nisso. Só agora estou pensando.

Realmente, não tenho a mínima idéia! (rsrs)

 5) Quando está em casa, descansando, ainda pensa em corridas nas conversas com seu filho, que também é piloto, ou consegue se desligar das corridas?

Djalma – Falamos muito de futebol também, porque é um esporte que adoramos e ainda bato uma bolinha no clube aos domingos de manhã. Às vezes jogamos no mesmo time, mas o assunto principal sem duvidas são as corridas. Automobilismo foi meu primeiro amor e disso não vou me desligar nunca.

 6) Recentemente você fez um treino na Top Race na Argentina. Afinal, você se aposentou como piloto ou ainda almeja correr em alguma categoria?

 Djalma – Na realidade não foi um treino, foi uma corrida do campeonato do Fábio em que o titular tinha que ter um parceiro com mais de 45 anos e estivesse aposentado. Eu tinha uma curiosidade grande de voltar a correr de carro. Aí foi o mesmo que jogar o peixe na água. Claro que fui ser o parceiro dele, que era um sonho de nós dois. Em nossas conversas o Fábio sempre perguntava se eu ainda conseguiria guiar um carro em um nível de pilotagem alto. Deixa-me explicar bem, para que possam entender. O Fórmula Truck exige uma pilotagem manhosa, diferente de tudo o que existe em termos de carros de corrida. No Truck se você é muito agressivo é prejudicial, diferente de um carro de corrida preparado para isso. Voltando em minha conversa com o Fábio, falei “claro Fábio, isso é como andar de bicicleta e garanto que apesar de estar 13 anos sem guiar um carro, não tomo mais que um segundo de você, isso se eu tomar!”. Pra resumir, tomei quatro segundos e vi que” cada macaco no seu galho”,e’ a frase perfeita nesse caso (rsrs).

 7) Uma das provas da F-Truck coincidiu com uma prova da Top Race na Argentina, onde seu filho corria. Como foi ficar a mais de sete mil km de distância do Fábio sendo que em todas as outras provas você o acompanhou?

Djalma – Na realidade isso já tinha acontecido o ano passado quando ele corria na Stock Jr, onde foi campeão. É terrível, ainda mais no meu caso que quero sempre estar por perto acompanhando tudo.

8) Como você se sente orientando o seu filho nas pistas?

Djalma – Eu sinto que ele precisa caminhar um pouco com as próprias pernas, mas desampará-lo, jamais. Procuro sempre ver os vídeos, analisar os adversários, estudar as câmeras on-board, isso ajuda muito e tem que partir de mim, pois se deixo pra ele, não acontece nada. Temos uma diferença muito grande de visão sobre automobilismo. Sempre encarei e encaro como o ultimo prato de feijão que vai ter na vida. O Fábio é totalmente diferente. Ele tem o dom que Deus lhe deu de pilotar um carro em um nível muito alto, mas com o tempo ele vai entender que se olharmos como fosse o ultimo prato de feijão, os resultados aparecem mais rápido. Mas vamos dar tempo ao tempo.

 9) Você acredita que um dia poderá ser o chefe de seu filho na Fórmula Truck?

Djalma – Não sei. Ele andou a primeira vez em um Fórmula Truck na semana passada em Interlagos. Tenho que confessar que fiquei realmente impressionado com o teste dele. Até hoje vejo pilotos maduros de outras categorias provarem um Truck e o cara sai na primeira volta achando que já guiou aquilo há muito tempo e só sai besteira. O Fábio saiu devagar, conhecendo o equipamento, não forçando nada e depois de umas 10 voltas, já familiarizado com o equipamento, aumentou o ritmo e conseguiu bons tempos, sem dar uma escapada ou errar uma marcha ou danificar o equipamento. Acho que ele tem muito que fazer no carro antes de pensar na Truck, mas ele está encantado com os Trucks, paixão a primeira andada! (rsrs). Tomara que a Neusa reveja essa regra de idade mínima (21 anos) que é quando tira carta de motorista de caminhão para andar nas estradas. Responsabilidade ou tem ou não tem, independe da idade.

 10) Parece que o automobilismo está no sangue dos jovens de Sorocaba, que conta com pilotos de expressão como você, Átila Abreu, Sérgio Jimenez, e esperanças como Fabinho Fogaça, Rodrigo Barbosa, João Jardim. Por que a cidade não tem kartódromo para revelar novos talentos?

Djalma – Verdade. Tem vários pilotos aqui e na região. Não vamos esquecer do Vinicius Ramires que fez sucesso na Truck. Agora quanto a ter kartódromo ou não, como em todo lugar, depende da iniciativa particular. Falar com um governante, um prefeito ou político qualquer sobre isto é muito difícil sair alguma coisa. E em Sorocaba não é diferente, mas quem sabe um dia.

 11) Como você avalia o atual momento da Fórmula Truck, pós-crise financeira?

Djalma – Acho que a crise ainda não acabou, até pelo reflexo que está dando nesse ano, mas a Truck aguentou bem, porque a Neusa é especial e tem uma equipe fantástica a acompanhá-la. Tenho certeza que ela é uma iluminada e tem o dom de fazer as coisas acontecerem sempre. E a crise acabou servindo para as pessoas conhecerem quem realmente ela é e que capacidade tinha e isso fortaleceu a categoria em todos os setores, desde a parte comercial até as partes esportiva e técnica.

 12) Este ano a Fórmula Truck ganhou três novos pilotos: Bruno Junqueira, Cristiano da Matta e Paulo Salustiano, todos provenientes de categorias top. Você acredita que está começando uma grande renovação na F-Truck?

Djalma – Não tenho duvidas disso, mas sempre é bom lembrar que esses caras ainda vão tomar pau dos velhinhos, mas também não há duvidas que depois vão ter sucesso, pois foram vitoriosos em todas as categorias que passaram.

13) Ao que deve o domínio da VW nos últimos campeonatos da F-Truck?

Djalma – São muitos os fatores. Muito se fala do investimento da Volkswagen na categoria como a única coisa e discordo totalmente. Claro que isso é um fator primordial, mas existem muitos outros que tenho absoluta certeza que aconteceu lá. Um desses fatores foi fazer a cabeça do time RM que eles eram caras capazes e com a implantação de um esquema de trabalho e visão do jogo seria possível. Não vamos nunca esquecer da qualidade dos pilotos que guiam pra esse time já há alguns anos e também do envolvimento de mão de obra da montadora, onde tem alguns apaixonados com muita capacidade que se debruçaram em cima de projetos dia e noite. Tudo isso, aliado à capacidade do Renato Martins de trazer o peixe para sua brasa (unir os parceiros) e comandar as coisas a seu modo ,sem esquecer da capacidade do Flankin, seu mecanico chefe ..Tudo isso fez que os resultados viessem em grande numero. Não é fácil bate-los, mas estamos trabalhando pra isso.

 14) O que falta para a Ford ganhar provas e Campeonatos?

Djalma – Corridas não são assim “vamos ganhar em tal época” e muito menos campeonatos, mas não podemos perder o foco. Temos primeiro que ter um equipamento confiável. As provas de Truck são brutais para o equipamento, considero isso a primeira coisa. Outra é paramos de perder para nós mesmos, temos que pensar nisso primeiro antes de pensar em vencer os outros. A Ford investiu muito esse ano, mais que dobrou o investimento em relação ao ano passado, acho que estamos perto de ganhar. O campeonato não é muito longo e não podemos esquecer que todos estão correndo atrás de vitórias e do título. Fora os VW que são uma realidade, os Mercedes irão se recuperar, eu tenho certeza, pela capacidade de seu corpo técnico e de seus pilotos. O mesmo é a Scania com a equipe do Roberval Andrade e sua capacidade de pilotagem também,que atende ainda a equipe do Reis, onde tem um piloto promissor e destemido como é o Leandro Reis. E ainda nunca podemos desprezar o Beto Monteiro e o Leandro Totti, sem falar dos novatos e que a qualquer hora irão emplacar. Então, não é fácil falar tal dia ou mês vamos ganhar, mas confio na capacidade dos meus pilotos. Tenho certeza hoje que temos um dos caras mais rápido pilotando um Truck,senão o mais rápido, que é o Danilo Dirani. O cara é um “monstro”. Ainda temos o Bruno Junqueira que está começando a por as manguinhas de fora e é candidato certo a partir de Interlagos, e o Andersom Toso que é dedicado e agregador, sempre disposto a colocar o time pra frente. E estamos trabalhando dia após dia. Estamos perto de alcançar nossos objetivos,agora não da pra falar em tempo.

15) Com a popularidade da Truck ficou mais fácil conseguir patrocinadores e apoio para equipes e pilotos?

Djalma – A Fórmula Truck é uma realidade já a um bom tempo e isso acaba fortalecendo a credibilidade da categoria. Com certeza a palavra credibilidade não se conquista da noite para o dia. Então, foi um trabalho sério de todos os envolvidos, com paixão e profissionalismo e isso reflete na hora de apresentarmos um projeto a empresas potenciais parceiras. De alguma maneira acaba se tornando mais fácil sim, apesar de que patrocínios nunca foram e nunca serão fáceis de conseguir em qualquer categoria.

Sempre falo que a Truck ainda esta’ so’ em seu começo, falo isso pela capacidade que a nossa Presidente tem, ouço muito isso dos parceiros envolvidos,então e’ sinal que estão contentes na categoria e isso acaba facilitando as coisas.

Entrevista realizada pelo assessor de imprensa da DF Motorsport J. A. Otazú – MasterMidia